Nós, os de Natal – Rio Center

Nós, os de Natal

Diógenes da Cunha Lima

Poeta, escritor, presidente da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras

 

A ensolarada Natal vive da beleza e quer embelezar-se. Essa cidade-mulher é revelada na linha curvilínea das verdes e brancas dunas, nas móveis curvas do Potengi, no mantra aliciante das ondas do mar, no sol sensual, na delicadeza da brisa mansa, nos incontáveis pistilos da xanana, nossa flor maior. Quem não a conhece não imagina a gigante que se esconde atrás de suas dunas. Apesar de pequena, ela é grandiosa em encantamento e particularidades, além de guardar uma série de histórias e pontos turísticos únicos.

Foi fundada no ano de 1599, ainda na época do período colonial do Brasil. Tudo começou com a construção de um forte para proteger a capitania do Rio Grande do Norte. Por ordem de Felipe II, essa fortaleza foi erigida na foz do Rio Potengi, nas proximidades deste com o mar. Um ponto estratégico que possibilitava aos portugueses observarem todo o território sem nenhuma ameaça. Desde então, a capital potiguar sofreu uma série de mudanças favoráveis e sobressaiu mundialmente devido à sua beleza e, especialmente, aos seus habitantes, destacando-se notáveis como Luís da Câmara Cascudo e Augusto Severo, entre tantos outros.

A capital potiguar tem e teve nomes que são o seu louvor. Assim, Natal los Reyes, Santiago (padroeiro da Espanha), Cidade do Potengi, Cidade dos Reis, Nova Amsterdã e, finalmente, Natal. É um panorama espetacular. Discriminar seus pontos turísticos resulta, com certeza, em uma lista bem prolongada. A importância deles para o desenvolvimento e história da cidade faz com que alguns não possam passar despercebidos. Do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno à Fortaleza dos Reis Magos. Esses são apenas alguns dos pontos turísticos de Natal. Ainda existem praias e dunas que precisam estar em qualquer roteiro de quem chega à cidade.

Sol e mar continuam básicos para o turismo. Todavia, não bastam. Nos dias de hoje, os turistas do mundo querem novas experiências culturais, histórias singulares. Sabemos que Natal não se resume somente a cenários. Em suas entrelinhas, abriga muitas histórias. Se você se dispuser a escutar os mais velhos, os pescadores da Vila de Ponta Negra ou as mulheres rendeiras, terá tantas narrativas para abraçar que se surpreenderá.

A vida é feita de narrativas — da nossa e da dos outros. O povo potiguar brilha em suas particularidades e, por vezes, adota costumes distantes. Na década de 1940, durante a 2ª Guerra Mundial, a cidade contava com apenas 55 mil habitantes e cerca de 10 mil militares norte-americanos. Eles trouxeram para os potiguares o sentimento de descontração, de apreciar festas e shows de grandes artistas de Hollywood, Coca-Cola, chiclete e outros hábitos gringos.

Natal chama também para o exercício espiritual, a criatividade, a retribuição, os gestos líricos, a descontração. Viver nesta cidade significa tornar-se leve, alegre, descontraído, apto à celebração. Natalizar-se é fundamental! Não tenho dúvidas em afirmar que poucas cidades brasileiras têm tantas riquezas de patrimônio material e imaterial. Que parte do Brasil teria uma história tão singular e expressiva? Nossa cidade é uma rica cidade pobre: preciosa e com dificuldades superáveis. Infelizmente, o Rio Grande do Norte é pouco explorado para o benefício dos próprios potiguares. O meu amor por Natal segue um roteiro adolescente, intelectual e amoroso. Sou devoto da cidade que elegi.

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